Curso online de Análise de Redes em Mídias Sociais

Em 12 de junho começará o curso online de Análise de Redes em Mídias Sociais, que desenvolvemos no IBPAD depois de anos de experiência prática na área e mais de 10 edições de cursos abertos ou in-company. Idealizado por mim e meu sócio Max Stabile (Mestre em Ciência Política), o curso conta também com conteúdo de Marcelo Alves (Mestre pela UFF e cofundador da Vértice).

Serão mais de 90 aulas divididas em 5 módulos, que podem ser acessados pelo aluno por 6 meses. Saiba mais abaixo, veja uma aula gratuita e use o código taruvector10 para um desconto exclusivo:

.

Curso de Etnografia em Mídias Sociais – nova edição começa neste sábado 20 de maio

Começa neste sábado dia 20 de maio nova edição do curso de Etnografia em Mídias Sociais do IBPAD em São Paulo. Com minha curadoria, o curso da prof. Débora Zanini inclui 21 horas de conteúdo e atividades. Apresenta o estado da arte sobre a aplicação de técnicas etnográficas ao estudo do comportamento online nas mídias sociais, ferramentas e cases. Nesta edição, os inscritos receberão o livro Monitoramento e Pesquisa em Mídias Sociais, que conta com capítulo da professora. Saiba mais:

Thickening no monitoramento e etnografia em mídias sociais

[Publiquei originalmente no blog do IBPAD – confira lá este e outros textos meus e dos demais professores]

Iniciando a série de postagens sobre capítulos do livro Handbook of Social Media Research Methods, vamos falar de um dos textos dedicados à pesquisa qualitativa que usa, deliberadamente, o termo small data em seu título. Merece ser o primeiro também para chamar atenção para os procedimentos metodológicos necessários em qualquer pesquisa e monitoramento de mídias sociais – que muitas vezes são esquecidos por ansiosos que perseguem os novos termos da onda.

Small Data, Thick Data: Thickening Strategies for Trace-based Social Media Research foi escrito por Guillaume Latzko-Toth, Claudine Bonneau e Mélaine Millette, pesquisadores da Université Laval e Université du Québec à Montréal – ambas do Canadá. O objetivo do capítulo é ir além da infrutífera cisão entre quanti-quali ou big-small data, buscando reduzir o “fôlego” dos dados (breadth) em prol de sua profundidade – ou thickening – engrossamento.

Os autores explicam que o termo se assimila a ideias de thick data do Geertz (1973) ou rich data do Becker (1970). O conceito de thickening usado no capítulo vem de Tricia Wang

“Thick data é o oposto de ‘Big Data’; é a cola pegajosa que é difícil de quantificar – emoções, estórias, visões de mundo – o que se perde no processo de normalização, padronização, definição e clustering que torna os datasets massivos analisáveis por computadores” (WANG, 2016: online)

Assim, a ideia de thick data se aproxima das ideias de etnografia online e netnografia (Hine, 2015; Kozinets, 2010). Ao definir small data, os autores enfatizam a ideia de manejabilidade (manageability): uma quantidade de pontos de dados que é pequena demais para ser representativa no sentido estatístico e pequena o suficiente para ser gerenciada por um time pequeno de analistas humanos. A rigor, trata-se da grande maioria dos casos de estudos de dados em mídias sociais em empresas e agências.

Tabela por Tricia Wang

São três camadas essenciais para o engrossamento dos dados: uma camada de informação contextual, que dá conta das affordances técnicas e convenções culturais que dão forma às práticas online; uma camada de “descrições grossas” sobre as práticas sendo estudas, os produtos sociais a partir das perspectivas dos vários atores envolvidos; e uma camada de entendimento dos significados das experiências sendo estudadas – incluindo a interpretação dos próprios envolvidos.

A partir desse entendimento, os autores propõem três tipos de estratégias de data thickening: entrevista baseada em rastros e traços nas mídias sociais; coleta manual de dados; e observação ágil de longa duração.

 

Entrevista baseada em rastros e traços nas mídias sociais – Trace Interview

Aqui a ideia é convidar os participantes/sujeitos de pesquisa a refletir sobre seus próprios dados nas mídias sociais. Usando aplicativos de análise de informação social disponíveis largamente como Twitonomy, Tweetstats, Sociograph, Digital Footprints ou outros, o entrevistado pode se confrontar com seus próprios padrões de interação ou dados resgatados para refletir e falar sobre suas práticas online.

A utilização de sociogramas simples – criados de forma mista analógica e digital é um recurso comum, como mostrou Elizabeth Dubois em seu metodologia, citada pelos autores:

Coleta Manual de Dados

Demonizar a coleta manual de dados fez com que muitos pesquisadores e analistas confiassem demais na coleta baseada em palavras-chave, deixando de lado o potencial de se estudar elementos para além do texto, por exemplo. Escolha de imagem de avatares e “capas” e a posterir análise de seus elementos, muito úteis para a construção de personas – é um exemplo de coleta manual relevante.

Mesmo em termos de publicações – tweets, postagens, comentários – , a coleta manual a partir da navegação do pesquisador, usando de conceitos de bricolagem e serendipidade, pode expandir o horizonte e quebrar com os limites consciente e inconscientemente impostos pelo escopo do analista.

 

Observação ágil de longa duração – Agile long-term online observation

Por fim, com o conceito de observação ágil de longa duração, os autores vão tratar da necessidade de seguir os sujeitos de pesquisa através de diversas comunidades e plataformas. A agilidade é essencial para transformar a observação contínua dos fenômenos e interações sociais em novos escopos de pesquisa, configuração de ferramenta e registros de dados. As menções a eventos exógenos, conteúdos e memes em outras plataformas são pistas para o pesquisador encontrar novas referências e caminhos a percorrer para o entendimento das comunidades sendo estudadas.

A seção seguinte do capítulo traz estudos de caso de cada uma das estratégias citadas acima. Para as entrevistas baseadas em traços, os pesquisadores relatam como os participantes descreveram as pessoas e relacionamentos em suas timelines – com várias informações que não seriam descobertas por um pesquisador isolado daquele contexto social. Para a segunda estratégia, os autores falam sobre pesquisa em torno do fenômeno Working Out Loud (relatos do cotidiano de trabalho através de tweets). O monitoramento de palavras-chave foi o passo inicial para, em seguida, a coleta manual permitir registrar o contexto de publicação de cada tweet, para cada usuário. Finalmente, um estudo sobre a comunidade francófila do Canadá foi objeto do terceiro relato de caso, resgatando o mapeamento realizado pelos pesquisadores através da metodologia de observação ágil de longa duração.

Os autores concluem o capítulo sublinhando três características das metodologias e casos estudados: contextualidade, temporalidade e flexibilidade. O entusiasmo com os métodos digitais de pesquisa não podem se restringir a suas capacidades de automatização, aplicação de algoritmos e procedimentos padronizados. Aquelas características da thick data só poderão ser alcançadas com olhares qualitativos de pesquisadores imersos em seus objetos de pesquisa.

 

Referências 

Becker, H. S. (1970) Sociological Work: Method and Substance. New Brunswick, NJ: Transaction Books

Dubois, E. and Ford, H. (2015) ‘Trace interviews: An actor-centered approach’, International Journal of Communication, 9(25): 2067–2091.

Geertz, C. (1973) Interpretation of Cultures: Selected essays. New York: Basic Books.

Hine, C. (2015) Ethnography for the Internet: Embedded, Embodied and Everyday. London: Bloomsbury Publishing.

Kozinets, R.V. (2010) Netnography: Doing Ethnographic Research Online. London: Sage.

Latzko-Toth, G., Bonneau, C. et Millette, M. (2017). Small data, thick data : thickening strategies in trace-based social media research. In: A. Quan-Haase et L. Sloan (dir.). The SAGE handbook of social media research methods (p. 199–214). Thousand Oaks, CA : Sage Publications.

Wang, T. (2016, January 20) ‘Why Big Data Needs Thick Data’, Ethnography Matters (Medium channel) (https://medium.com/ethnography-matters/why-big-data-needs-thick-data-b4b3e75e3d7#.y9plmare1)

Novo blog de comunicação na área: Mabia Barros escreve sobre marketing, conteúdo e mercado

Novo blog na área! Formada em Produção Cultural (UFBA) e pós-graduada em Gestão Estratégica de Mídias Sociais e Marketing Digital (FBB), a Mabia Barros é analista de monitoramento e métricas no Rio de Janeiro e reuniu textos produzidos e novas publicações no endereço http://mabiabarros.com.br . Já tem conteúdo sobre buyer personas, jornada de compra, monitoramento e metodologia de produção de conteúdo. Conheça e assine:

SMW 2017: vote e assista as melhores palestras sobre mídias sociais

Em setembro acontecerá mais uma edição brasileira do Social Media Week, um dos maiores eventos na área do mundo. Outra vez a organização decidiu fazer curadoria crowdsourced e há centenas de palestras que podem ser votadas. Fiz uma seleção de palestras com qualidade e relacionadas aos temas comuns aqui do blog. Aproveitem e não percam:

Quem é você atrás da tela: Dados e métodos de mídias sociais para pesquisa social – Débora Zanini e Jaqueline Buckstegge

Planejamento de Comunicação para Empreendedores – Taís Oliveira

Profissão Social Media: da teoria à prática – Pedro Meirelles

Afinal, o que as empresas esperam de um profissional de BI? – Ana Claudia Zandavalle e Juliana Freitas

Inteligência Artificial: Máquinas que aprendem…devemos ter medo? – Andrea Hiranaka

Influenciadores digitais: aliados das marcas na produção de conteúdo de precisão – Daniele Rodrigues

Indo além dos likes: mensurando resultados REAIS de Influenciadores em Mídias Sociais – Gabriel Ishida

Feminismo Online: Uma Lupa nos casos da Rede Globo com Text Mining e Grafos – Débora Zanini e Cristina Graciele

Branded Content Data: como utilizar dados de social media na elaboração do propósito de uma marca – Soraia Lima

Métricas não-óbvias em Social Media – Felipe Proto

O YouTube como vitrine para negócios múltiplos — e do bem – Francine Lima

Marketing Science para Anunciantes e Entusiastas – Guido Sarti

Falando para Você: O Poder das Audiências Personalizadas – Gabriel Ramanho