Tarcízio Silva

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Comunicação digital, inteligência competitiva, mídias sociais e outras coisas divertidas

Documentário – O Poder dos Seis Graus

Disponibilizado e legendado por uma iniciativa de um grupo da Escola de Redes, o documentário começa falando do “mito” dos seis graus de separação para introduzir a teoria das redes sociais. Entrevistou teóricos como Laszlo Barabási, Steve Strogatz e Duncan Watts. Dirigido por Annamaria Talas e com roteiro de Simon Nasht, o vídeo simplesmente ignora o trabalho de Stanley Milgram e pesquisa anterior à década de noventa, além de trazer outras falhas consideráveis, mas vale ver a título de curiosidade.

Aplicativos Sociais e uso dos dados de perfis conectados

Entre os muitos mecanismos persuasivos empregados por aplicativos sociais, está a utilização de elementos dos perfis conectados ao usuário do aplicativo. Por exemplo, no “Golmemorador”, aplicativo patrocinado pela Coca-Cola, o usuário pode bater penaltis e comemorar o gol, estratégia vinculada à campanha “Comemore do seu jeito!”.

golmemorador

Uma particularidade do jogo é o posicionamento das fotos de avatar dos amigos do jogador no rosto do “goleiro”. Quem joga o Golmemorador pode “fazer gols em seus amigos”. O aplicativo coleta os dados dos amigos do jogador, mesmo que estes não utilizem o aplicativo e, muitas vezes, sequer saibam. É um jogo individual a princípio mas que, depois da partida, interpela o jogador a publicar nas atualizações “Fulano fez gol em sicrano”. Assim, o sicrano e os amigos de fulano e sicrano podem ver a atualização, ficar curiosos e também utilizar o aplicativo.

O mesmo acontece em diversos outros aplicativos sociais, especialmente nos jogos: Cafe World é um bom exemplo, no Facebook. Essa experiência é bem característica dos aplicativos sociais, sistemas que utilizam as redes de conexões e bases de dados dos usuários dos sites de redes sociais para fornecer diferentes tipos de interação e expressão. A depender do modelo de negócio (no caso, aplicativo dedicada à marca), a estratégia é envolver inicialmente um usuário para que sua experiência resulte em disseminação do aplicativo, através da própria visibilidade (ao postar nas atualizações) e de dinâmicas sociais resultantes, como competição.

Esclarecendo o #massivefail da IDGNOW (e dos milhares que retuitaram ou repostaram)

Update: a matéria foi atualizada alguns dias depois. Fica aqui o post como um incentivo ao rigor.

Quem me segue no Twitter provavelmente já leu alguns resmungos meus sobre o chamado “jornalismo de tecnologia” que tem sido feito por portais como Info Online, IDGNOW e semelhantes. Como já reclamei em outro post, o “oba-oba” generalizado, a busca por números chamativos e a corrida por postar primeiro tem levado jornalistas a fazer barbaridades.

Uma das mais graves foi cometida pelo jornalista do IDGNOW, o William Marchiori, no dia 22 de abril. Comentando um relatório e dados do Statcounter (lançados no mesmo dia), publicou o texto “Twitter lidera tráfego em mídias sociais no Brasil, segundo a StatCounter. O próprio texto carece de coerência interna. No primeiro parágrafo: “No Brasil, o Twitter hoje é responsável por 56% do tráfego de dados em sites de mídia social” e  no quinto: “Os resultados nacionais diferem dos registrados no mundo. Segundo a StatCounter, o Twitter está longe de liderar”.

Se isso já não fosse #fail o suficiente, o título ambíguo e o termo “tráfego de dados” dá a entender que o jornalista fala de acesso total a estas mídias sociais. Por isso, o Portal Exame e o Comunique-se, por exemplo, que são dois sites com reputação, publicaram: “Twitter é a mídia social mais acessada no Brasil” e “Twitter lidera como mídia social mais acessada no Brasil“. Lamentável.

O Statcounter falava das mídias sociais como fontes de visitantes para os sites. O Statcounter é uma ferramenta de analytics utilizada por milhões de sites pelo mundo e, por isso, pôde analisar qual mídia social gera mais cliques que resultam em visitação aos sites que monitora.

Isso é muito diferente de dizer que tal mídia social é mais acessada que outra. O Twitter e o StumbleUpon se destacaram nesses dados por causa de suas características, que envolvem em grande parte recomendação de conteúdo e links. O que aconteceu nesse caso lamentável foi que um jornalista falhou na leitura, tradução e interpretação dos dados e, a partir daí, outros jornalistas (com tão pouca ou menos vontade de apurar) replicaram o erro, assim como centenas ou milhares de tuiteiros.

E a partir daí, o que acontece? Desinformação que prejudica profissionais que trabalham nessas mídias sociais, outros jornalistas, publicitários, gestores de empresas, RPs e cidadãos que não trabalham com comunicação, mas que podem erroneamente gastar tempo mudando seus padrões de consumo e produção de mídia por causa das informações erradas.

É por isso que repito o que eu disse em um tweet. Se algum dia eu bloquear, na rede de minha empresa (coisa que não vai acontecer), o acesso a um site, este será o IDGNOW.

Twitter lidera tráfego em mídias sociais no Brasil, segundo a StatCounter

Três blogs: jornalismo online, formatos digitais e mídias locativas

Indicação de três blogs, de colegas que também fazem mestrado na linha de Cibercultura aqui no Póscom.

Ciberalgo, do @pvbsousa

Blog sobre geolocalização, mídias locativas e mapeamento colaborativo. Destaque:  O cinismo dos sistemas ubíquos

Ciberalgo-

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Papel Digital, do @rodrigocunha85

Blog sobre jornalismo, novos formatos de publicação e convergencia. Destaque: OESP e O Globo lançam versões para iPad

Papel Digital

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Valores-Notícia

@rodrigo_martins

Sobre jornalismo online, ferramentas de participação e aproximação dos leitores com as notícias. Destaque: O novo Estadão e o Twitter
Valores-Notícia

Mini Bis, product placement e aplicativos sociais

Na minha opinião, um dos principais objetivos a ser alcançado por empresas que investem em comunicação digital e mídias sociais é transformar suas marcas no próprio material significativo da interação entre as pessoas. Ou seja, que a marca não seja citada apenas na hora da compra, de forma operativa ou somente quando um incentivo palpável está em jogo. Mas sim que se torne parte das interações descompromissadas, do cotidiano das pessoas. A estratégia de product placement, desde os meios “analógicos”, busca algo parecido. Meu personagem preferido, aquele herói, aquele galã que conquista todas, o esportista que sempre vence ou a garota mais popular (estereótipos narrativos, não concordo com eles como ideais) utilizavam, na tela, com maior ou menor naturalidade um produto. Estratégia paga pelas empresas para que os espectadores vissem aquele produto como o escolhido pelos seus modelos de comportamento.

mini bis colheita feliz

Nos meios digitais e interativos, o product placement pode chegar a outro nível. Talvez até o nome “product placement” seja pouco para falar sobre as possibilidades. Falando especificamente de aplicativos sociais, nesta semana ganhou pauta em vários blogs a ação feita para a marca Mini-Bis no jogo social Colheita Feliz. O pitoresco de se plantar chocolate nesse jogo é verossímil: se “planatava” caviar em aquarioszinhos que ficavam sobre a terra já era possível, por que não isto? Os pezinhos de Mini BIS ficaram disponíveis aos 20 milhões de usuários do jogo no Orkut.

Outros exemplos famosos de product placemente em aplicativos sociais ocorreram no BuddyPoke, que segue sendo o aplicativo social mais utilizado no Orkut. Para o lançamento do filme Wolverine, duas ações especiais faziam referência ao personagem-título. E, para divulgar o chiclete Bubbaloo, uma ação de “estourar bola” também foi criada.

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bubbaloo buddypoke

Existem, é claro, diversos aplicativos voltados a uma única marca. Porém, essas estratégias de product placement interativo podem ser mais interessantes porque oferecem um nova interação possível para que as pessoas se comuniquem. É importante sempre lembrar que os aplicativos sociais permitem, em sua essência, interações entre pessoas que já se conhecem. Por isso, cada poke, mensagem, comentário, jogada traz consigo um valor relacional interessante. Pode-se constuir associações afetivas com estes aplicativos, porque se integram ao cotidiano de conversação entre os usuários do site de rede social. Mais que um product placement no conteúdo, também é um posicionamento na forma como as pessoas trocam valores e sentimentos. É em busca disso que as marcas devem ir para ter êxito nas mídias soicias.

Sobre

Tarcízio Silva é mestrando no PPGCCC-UFBa e consultor de mídias sociais da PaperCliQ [+]

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