Previsões são, geralmente, furadas. Por isso fiz 10 tendências em mídias sociais para o próximo ano, que chega em algumas horas, focando em aspectos das mídias sociais que já foram fortalecidos e encaminhados em 2009. Então seguem os slides para apreciação e crítica:
Finalizando a série de posts com “12 livros para o profissional de mídias sociais ler em 2010“, três livros especificamente sobre propaganda. Alguém disse em algum post perdido por aí que “mídias sociais são o oposto da propaganda”. Bobagem. Confundir propaganda com comunicação midiática de massa (que também não é o oposto de mídias sociais) é compreensível, mas não deixa de ser incorreto. Aquela comparação pressupõe uma definição limitada de propaganda, com a qual não concordo.
De uma forma ou de outra, muitos dos leitores desse blog e profissionais de mídias sociais em geral são publicitários ou estudantes de publicidade e propaganda. Para estes, que devem conhecer os livros abaixo, e, principalmente, para quem não é proveniente da área específica de propaganda (e aqui me incluo), sugiro os três livros abaixo para fechar a série de posts com 12 livros para o profissional de mídias sociais ler em 2010.
E, para ser uma leitura ainda mais enriquecedora pelo contraste, três livros que não falam de internet. O primeiro foi escrito por um autor que nem chegou a conhecer a web. O segundo de dois autores que tratam de propaganda com exemplos de impressos. E o último de um autor brasileiro, mais atual, mas que escreveu o livro em uma época na qual a internet era inexpressiva.
A Ciência da Propaganda. Como já escrevi em outro post, o livro de Claude Hopkins não é científico nem acadêmico. Mas o uso da palavra “ciência” em 1923 foi uma tentativa de mostrar que era um trabalho sistemático de reunião de “leis da propaganda”.
Obviamente, muitas das coisas não se aplicam mais hoje em dia. Entretanto, são relatos, considerações e recomendações de um dos maiores publicitários da história, que trabalhou em uma era da propaganda bem particular, com estratégia como envio de amostras e cupons como foco. Se hoje continua a se discutir ROI e métricas, é um bom aprendizado ver como cada centavo de reembolso postal era decisivo.
A Linguagem da Propaganda, de Torben Vestergaard e Kim Schroder. Em seis capítulos os autores destrincham a relação entre propaganda e sociedade, introduzem conceitos básicos de teoria da comunicação, elementos de um anúncio, estratégias de comunicação de gênero e classe, publicidade como espelho psicológico e a ideologia da propaganda.
O livro, de 1985, tambem é repleto de análises interessantíssimas, mostrando a riqueza sutil de anúncios impressos.
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Planejamento de Propaganda. Do brasileiro Roberto Corrêa, o livro de 1986 já ganhou sua décima edição em 2008. O autor começa, no primeiro capítulo, a falar do papel da propaganda no mix de marketing de uma empresa. A partir daí fala de comunicação, de seu uso estratégico e vai para os pontos-chave para o planejamento: briefing, posicionamento, verba etc.
É um livro no qual o autor tentou ser bastante exaustivo. Durante a leitura, o exercício de conversão das técnicas para estratégias digitais é enriquecedor.
Então, é isso. Foram 12 livros para você, profissional ou futuro profissional de mídias sociais ler em 2010. Ler um desses livros a cada mês vai ajudar em muito no seu desenvolvimento, não tenha dúvida. Confira também os outros posts:
Persuasive Technology. O livro de BJ Fogg é fruto de um ramo de pesquisa criado em seu laboratório. Captology vem de “computer as persuasive technologies”, ou “computadores como tecnologias persuasivas”. O grupo de Stanford investiga como os computadores (e aqui podemos incluir suas diversas facetas: programas, sites, simuladores etc) podem ser mecanismos persuasivos a partir de sua tríade funcional: computador como mídia; computador como ferramenta; computador como ator social. O autor BJ Fogg publicou recentemente mais alguns artigos que podem ser baixados gratuitamente em seu site. Para ler mais sobre captologia e sobre estes artigos, veja outro post: http://tarciziosilva.com.br/blog/captologia-computadores-persuasao-comportamento-e-publicidade-digital/
A Representação do Eu na Vida Cotidiana. A pesquisa de Erving Goffman parte do entendimento que os indivíduos, em sociedade, representam papéis para platéias – as pessoas com as quais convivemos. Utilizando essas metáforas, a teoria dramatúrgica é essencial para entender como as pessoas querem se representar, comunicar e interagir também na internet. Além do livro de Goffman, recomendo, sobre o assunto, parte da pesquisa de Judith Donath (como este artigo) no Sociable Media Group.
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A Cauda Longa. Com certeza o mais conhecido entre os três deste post, o livro de Chris Anderson vendeu bastante. Curiosamente ou não, Anderson é o editor-chefe da Wired, revista na qual Nicholas Negroponte também contribui.
O livro fala de cauda longa, um conceito em estatística que mostra um gráfico no qual o volume é decrescente (por isso cauda longa). A economia de bens físicos ou simbólicos, no mundo contemporâneo, é caracterizada pela cauda longa, aonde produtos são cada vez mais segmentados e especializados. Na internet, então, nem se fala, não é? Então é uma ótima leitura recheada de exemplos e estudos de caso.
Continuando com a lista de 12 livros para o profissional de mídias sociais ler em 2010, vamos ver 3 livros sobre sociedade, economia e cultura digitais.
A Vida Digital, de Nicholas Negroponte. O livro foi lançado em 1995. Mal existia o Windows 95 ainda e o Netscape era rei. O professor de Tecnologia da Mídia do MIT discute os meios de transmissão das informações e dados (no capítulo Bits são Bits), os desenvolvimentos na interface homem-computador (no capítulo Interface) e a própria vida digital, no capítulo de mesmo nome.
Obviamente, existem algumas anacronicidades. Alguns dos caminhos apontados nunca foram seguidos, outros já foram bem acertados, em uma época na qual 14 anos significa um século. A leitura é um ótimo exercício para visualizar como os desenvolvimentos da cultura digital podem ser modificados.
Sociedade em Rede. Publicado pela primeira vez em 1996, o livro faz parte da trilogia “A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura” do sociólogo espanhol Manuel Castells. É indispensável para quem deseja entender como a globalização e as tecnologias de informação e comunicação, ao colocar o mundo em rede, transformaram a economia, a sociedade, os negócios e a cultura.
É um dos livros que ganhariam o título de “tomo” nessa seleção, mas não deixem de ler.
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Cultura da Convergência é um livro publicado já em um momento em que banda larga, dispositivos móveis e mídias sociais são realidade. Henry Jenkins analisa a cultura da convergência partindo de alguns produtos culturais. Por exemplo, analisa as narrativas crossmedia a partir do caso de Matrix Reloaded e Matrix Revolutions. Analisa a cultura da colaboração, paratextos e comunidades de interesse a partir de spoilers da série americana Survivor.
Nos últimos anos, o que não faltou foram livros caça-níquel, aproveitando a disseminação das mídias sociais. Autores que transbordam de pretensão e carecem de senso do ridículo, lançaram publicações com palavras como “bíblia”, “guia definitivo”, “tudo” nos títulos. Infelizmente, muitos desses viraram best-sellers, sendo mais um desserviço para o mercado do que qualquer coisa.
Mídias sociais são tecnologias que permitem que usuários comuns produzam, publiquem, armazenem, disseminem, editem e categorizem conteúdos expressivos, pessoais, culturais etc. Estes usuários comuns são ligados entre si através destas tecnologias em redes sociais, nas quais as dinâmicas das conexões e fluxos são decisivas para a comunicação.
Ser um bom profissional em mídias sociais, então, requer conhecimentos em informática, psicologia, matemática e, sobretudo, comunicação social. Pensando nisso, e pra evitar que você compre alguma dessas “bíblias”, fiz uma listinha de 12 livros para o profissional de mídias sociais. A ideia é que você possa ler um em cada mês do ano vindouro. Alguns são tomos, outros são menores, mas o número de 12 é um bom modo de organizar. Serão 4 posts, cada um com 3 indicações de livros.
Neste primeiro post, 3 livros disponíveis completos para download:
Planeta WEB 2.0. Lançado em 2007 por Cristobal Cobo Romaní e Hugo Pardo Kuklinski, o livro discute o conceito de web 2.0.
Trata de sites de redes sociais, inteligência coletiva, ensino e aprendizagem colaborativa etc. Um dos capítulos se propões a ser um mapa de aplicações 2.0 e trata de definir e trazer exemplos dos 4 pilares da web 2.0: sites de redes sociais; conteúdo gerado pelo usuário; organização social e inteligente da informação; aplicações, serviços e mashups. O livro pode ser baixado em www.planetaweb2.net
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Redes Sociais na Internet (Raquel Recuero) – O livro foi lançado em 2009 pela pesquisadora Raquel Recuero, referência na área. Publicado com o apoio da Cubo.CC, está disponível para download gratuito em www.redessociais.net.
Na primeira metade do livro, Recuero investiga e define elementos, topologias e dinâmicas das redes sociais. Na segunda parte, os sites de redes sociais são tomados para a investigação dos tipos de sites de redes sociais, como se dá a difusão de informações nestes sites e a criação de comunidades. A autora fecha o livro com considerações sobre os principais sites de redes sociais, como Orkut, Fotolog, Flickr, Facebook etc.
Olhares da Rede, organizado por Claudia Castelo Branco e Luciano Matsuzaki. É produzido pelo Grupo de Pesquisa: Comunicação, Tecnologia e Cultura da Rede, da Faculdade Casper Líbero.
Com apresentação escrita por Sérgio Amadeu, um dos coordenadores do grupo, o livro discute a obra, investigações e conceitos de Yochai Benkler, Manuel Castells, Henry Jenkins, Lawrence Lessig e Douglas Rushkof, que estão entre os pensadores mais importantes da pesquisa contemporânea sobre cibercultura e redes digitais. Pode ser baixado em www.culturaderede.com.br
Continuando a avaliação de ferramentas de monitoramento de internet, depois de Scup e Trendrr, é hora de apresentar a Social Mention. A ferramenta se descreve como “real-time social media search and analysis”. A página inicial da Social Mention já coloca em destaque o campo de busca, onde o visitante pode escolher entre 12 tipos de busca, em: Blogs, Microblogs, Networks, Bookmarks, Comments, Events, Images, News, Videos, Audio, Questions ou todas elas.
Um ponto positivo é a possibilidade de configurar alertas. Assim como o Google Alerts, todas as novas menções ao termo buscado serão enviadas por email, categorizadas por fonte. Também é possível produzir um rss/feed com a busca ou ainda baixar os dados em CSV/Excel.
A função de palavras mais frequentes (Top Keywords) também está presente, como pode ser vista abaixo (para a busca “Stella Artois”):
Assim como o Trendrr, não permite categorização de emissores das mensagens. Porém, permite ver quais são mais frequentes. Dessa forma, ao menos, é possível saber quais são os hubs que, por exemplo, podem ser contatados em uma campanha com seeding. Além dos usuários individuais, também é possível ver a quantidade de citações por tipo de busca (Microblogs, por exemplo) e por fonte específica (no caso de Microblogs: Twitter, Plurk…).
Social Mention categoriza automaticamente as citações em Positive, Neutral ou Negative. A FAQ não exlpica como o software faz esse categorização. Provavelmente, deve ser a partir de número de palavras positivas ou negativas citadas. Além de ser impreciso, é inútil para citações que não estejam em inglês.
Outras ‘métricas’ que a Social Mention apresenta são Strength (Força), Passion (Paixão) e Sentimento (Sentimento) e Reach (alcance). A primeira, Strength, mostra a porcentagem de citações efetivas em relação a citações possíveis. Passion é a porcentagem de usuários que citam a marca repetidamente. Sentiment ratio mostra a relação entre citações positivas/negativas. No caso de Stella Artois, foi 6:1. Ou seja, existem 6 vezes mais citações positivas que negativas. Alcance (Reach), por fim, é o “número de autores únicos dividido por número de menções” (confuso e inexato).
O site ainda oferece um widget que pode ser instalado em blogs para mostrar todas as citações à marca. De um modo geral, Social Mention pode ser bastante útil, sim. Como qualquer ferramenta gratuita de monitoramento, possui suas limitações e pode ser utilizada bem com inteligência e um bom método.
Conheci a obra de Stephan Doitschinoff (aka Calma) no Masp e posso dizer que, no quesito “cultural”, foi uma das melhores coisas em minha viagem a São Paulo. A exposição “De dentro para fora / De fora para dentro” estará no subsolo do museu de arte de São Paulo até o dia 05 de fevereiro de 2010. Além de Doitschinoff, traz obras de artistas como Carlos Dias, Daniel Melim, Ramon Martins, Titi Freak e Zezão.
Para mim, entretanto, destacaram-se as duas obras de Stephan Doitschinoff. Ao entrar no subsolo e descer a rampa para a área da exposição, logo vi a enorme tela que achei ter objetos tipográficos colados. Não eram objetos tridimensionais, era ilusão de ótica do deseno. O simbolismo está presente, com formas que referenciam alquimia, narrativas visuais medievais, temas religiosos e arte do interior do Nordeste. Se meu parco conhecimento me permite dizer, achei a obra como uma mistura Hyeronimus Bosch com arte de rua (infelizmente, não achei imagem dessa tela).
A exposição ainda traz outras obras de Doitschinoff. Em uma parede, imagens do seu ambicioso projeto em Lençóis (interior da Bahia), pintando “toda a cidade”. O vídeo abaixo, “Temporal”, é um documentário dirigido por Bruno Mitih, que mostra este projeto:
Uma sala traz a instalação abaixo, que também impressiona bastante. Clique na imagem para ver outras obras da exposição, no blog à NOiTE.
“De dentro para fora / De fora para dentro”
Masp. Av. Paulista, 1.578. Tel. (011) 3251- 5644.
Segundas: fechado
Terças: das 11h às 18h, entrada gratuita a todos os visitantes
Quartas, sextas, sábados, domingos e feriados: das 11h às 18h
Quintas: das 11h às 20h
Do blog da Foreplay, que foi parceira e tradutora da cScape nesta pesquisa: 4º relatório de engajamento digital do consumidor em português. Dados interessantes, valem a leitura.
No final de novembro, bolsistas do Observatório de Publicidade em Tecnologias Digitais apresentaram os seguintes slides em evento dedicado ao mercado imobiliário e aos desenvolvimentos no marketing e publicidade digital para o setor.
Agências Digitais da Bahia é um site que pretende reunir descrições, links e informações sobre as… agências digitais da Bahia. O nome é auto-explicativo e a iniciativa do Gerson Souza é muito boa.